O carrapito é um doce artesanal produzido em Alfredo Chaves, Espírito Santo, com receita centenária feita com cana-de-açúcar, mamão verde e gengibre, preservando a tradição da família Bravim.
O sabor do carrapito desperta lembranças afetivas e mantém viva uma cultura local que já ultrapassou fronteiras. Essa tradição é mantida pela família Bravim no interior do Espírito Santo com dedicação e preparo totalmente manual.
Conheça neste texto a história, a produção artesanal e os desafios enfrentados para preservar esse doce centenário que conquistou clientes no Brasil e no exterior.
Confira também como a tradição se mistura ao trabalho diário da família para manter vivo esse legado no coração da Região Serrana do ES.
A origem e a tradição do carrapito em Alfredo Chaves
Produzido pela família Bravim na Vila Nova do Ribeirão, Alfredo Chaves, o carrapito é um doce que tem mais de 100 anos de história. Feito com cana-de-açúcar, mamão verde e gengibre, ele remete a um passado onde essa receita era comum em muitas residências da região.
Rosana Javarini Bravim, produtora rural, explica que o doce traz memórias de tempos antigos, quando era habitual encontrar alguém que fizesse carrapito em casa. “Às vezes, tem pessoas assim: ‘Nossa, eu comi o seu doce, eu lembrei do meu avô, lembrei do meu bisavô’. Antigamente, todo mundo fazia carrapito, mas foi se perdendo. Toda casa tinha alguém que fazia”, conta Rosana.
Produção artesanal e o processo manual
O preparo do carrapito é feito de maneira totalmente artesanal por três pessoas da família Bravim. A produção acontece uma vez por semana e começa na segunda-feira com a colheita dos ingredientes, para que na terça-feira o doce seja preparado com calma e qualidade.
O processo é demorado e delicado. Primeiro, o caldo de cana é fervido por cerca de três horas. Depois, adicionam o mamão verde ralado e prensado, que precisa ser mexido por mais quatro horas no fogo até atingir o ponto ideal do doce. O toque final é o gengibre triturado, que confere o aroma e o sabor característicos do carrapito.
Mesmo após a profissionalização da produção em 2018, com adequações sanitárias, o método manual e o cuidado permanecem, preservando a essência da receita centenária da família de Adevaldo Valentin Bravim.
Desafios para manter a tradição viva
A família produz atualmente cerca de cinco tachos por semana, com aproximadamente 25 quilos cada um, o que totaliza cerca de 300 bandejas. Apesar da alta demanda, a capacidade de produção é limitada.
Adevaldo comenta que a falta de mão de obra e o trabalho intenso dificultam a ampliação da produção. Ele ressalta a importância de preservar esta tradição centenária, mesmo reconhecendo que é um desafio repassar o ofício adiante. “Faz pena deixar essa tradição perder. A gente já está ficando velho e é difícil outra pessoa começar, porque é muito trabalhoso”, afirma.
O sabor do carinho e a valorização do artesanal
Rosana Bravim destaca que não guarda segredo da receita, porque acredita que outras pessoas podem aprender e ajudar a manter a tradição viva. No entanto, ela reconhece que algo especial do carrapito está no amor e no cuidado dedicados ao preparo: “Quando a gente faz algo com amor, com carinho, tudo fica melhor”.
Assim, o carrapito segue encantando paladares locais e até internacionais, mantendo viva a tradição familiar e regional do Espírito Santo.
Com informações de G1
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