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Fim da escala 6×1 no Brasil pode alinhar jornada com países ocidentais, diz Financial Times

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A proposta de acabar com a escala 6×1 no Brasil visa ajustar a jornada de trabalho a padrões internacionais, beneficiando milhões de trabalhadores. Isso ocorre em cenário de debates no Congresso e cenário político tenso.

Segundo o Financial Times, o fim da escala 6×1 aproximaria o Brasil de uma realidade comum em países ocidentais, onde a jornada semanal é menor.

A discussão sobre a mudança acontece em meio à pressão por maior produtividade e qualidade de vida aos trabalhadores brasileiros.

Analistas e autoridades debatem custos e impactos econômicos dessa redução no Congresso. Confira abaixo os detalhes dessa importante pauta.

Brasil busca alinhar jornada trabalhista a padrões globais com fim da escala 6×1

O jornal britânico Financial Times publicou em 7 de junho reportagem destacando que a proposta do governo brasileiro de acabar com a escala 6×1, em que os trabalhadores atuam seis dias seguidos com apenas um de folga, colocaria o país em linha com grande parte do mundo ocidental. Segundo o texto, a medida afetaria cerca de 15 milhões de brasileiros que têm emprego formal e trabalham sob esse regime.

Conforme a reportagem, o Brasil ainda está atrás da tendência internacional, pois, enquanto países avançam até para uma semana de trabalho de quatro dias, o país ainda busca reduzir sua jornada da sexta para a quinta feira semanal. O governo também projeta que outros 37 milhões de trabalhadores seriam beneficiados pela redução da jornada de 44 para 40 horas semanais sem perda salarial.

O Financial Times ressalta que este mês de junho marca o centenário da Ford ter sido a primeira grande empresa nos EUA a conceder o fim de semana de dois dias, mostrando que o Brasil ainda busca alcançar esse patamar trabalhista.

A jornada de trabalho atual e o contexto político da proposta

Dados do site Our World in Data apontam que, em 2023, brasileiros trabalharam em média pouco menos de 2 mil horas anuais, aproximadamente 50% a mais que trabalhadores alemães, que trabalharam 1.335 horas em média. Essa diferença mostra a intensidade da jornada atual no Brasil.

Porém, embora apoiada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a proposta encontra resistência no Congresso, onde a bancada conservadora tem rejeitado pautas do presidente. Segundo o Financial Times, o legislativo brasileiro é agora mais hostil, citando derrotas recentes sofridas por Lula no Senado, como a rejeição da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal.

O jornal destaca que opositores afirmam que a redução da jornada poderia prejudicar a economia, aumentando custos para as empresas, enquanto o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) acredita que os custos seriam suportáveis sem impacto comprovado na geração de empregos.

Impactos sociais, políticos e econômicos da redução da jornada

Os defensores da proposta esperam que ela fortaleça a base trabalhadora de Lula e o ajude a ganhar vantagem política contra seu principal rival nas eleições de outubro, o senador Flávio Bolsonaro. O Financial Times menciona o histórico positivo de Lula na redução da pobreza e melhoria da renda, como aumento do salário mínimo e isenção do imposto de renda para pessoas de baixa renda.

Por outro lado, o jornal observa que, embora uma semana de trabalho mais curta possa exigir maior produtividade, há desafios culturais. Por exemplo, a cultura de longas jornadas nos EUA está ligada a maiores salários em comparação com a Europa. Pesquisadores do FMI sugerem que a solução não é forçar maior trabalho, mas sim políticas para ampliar a participação no mercado de trabalho e permitir que trabalhadores permaneçam ativos por mais tempo.

Tramitação da proposta no Congresso e próximos passos

Dois projetos para acabar com a escala 6×1 avançaram recentemente em comissões na Câmara dos Deputados. Agora, as medidas passam por uma comissão especial e, se aprovadas, seguirão para votação nos plenários da Câmara e do Senado.

A discussão envolve balanço entre benefícios sociais e preocupação com os possíveis impactos econômicos, sobretudo para setores privados. A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de São Paulo (Fecomércio-SP) estimou que a redução para 40 horas semanais poderia aumentar em 10% os custos por hora trabalhada, o que gera debates intensos sobre o equilíbrio entre direitos e competitividade.

Assim, o tema da jornada de trabalho continua sendo central para o debate sobre o futuro do mercado de trabalho no Brasil, com atenção crescente em relação a tendências globais de produtividade e qualidade de vida dos trabalhadores.

Com informações de G1


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