Investigação do governo dos EUA mira JBS e outras gigantes brasileiras da carne, com temores sobre cartel e impacto na inflação dos alimentos.
A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Washington em 7 de junho de 2026 coincide com uma importante investigação aberta pelo governo dos Estados Unidos direcionada a grandes empresas brasileiras do setor de carnes.
Embora o encontro entre Lula e Donald Trump tenha abordado outras pautas, autoridades americanas seguem de perto a questão da concentração e influência estrangeira nessa cadeia produtiva.
O setor de carnes é fundamental para a economia e alimentação dos EUA, e esse contexto gera tensão entre os dois países, conforme divulgado pelo G1.
Megainvestigação dos EUA foca JBS e mercado de carne americano
Na segunda-feira (4), o Departamento de Justiça dos EUA iniciou uma ampla investigação contra as chamadas Quatro Grandes empresas do setor de carnes, responsáveis por 85% do mercado americano. Entre elas estão duas ligadas ao Brasil: a JBS Foods USA, maior processadora mundial de carnes, e a National Food, controlada pela MBRF, resultante da fusão entre BRF e Marfrig.
Além da JBS e National Food, a Cargill e Tyson Foods, americanas, são alvos da apuração. O foco são suspeitas de práticas anticompetitivas, que podem estar contribuindo para o aumento do preço da carne e, consequentemente, da inflação alimentar nos EUA.
Peter Navarro, conselheiro especial para Comércio e Manufatura do governo Trump, destacou a influência significativa das empresas brasileiras no setor. Ele afirmou que “metade das Quatro Grandes são brasileiras” e alertou que o problema não é apenas abuso de preços e cartel, mas também a “influência de estrangeiros em nossa cadeia de abastecimento”.
Contexto político e econômica entre Brasil e EUA
O empresário Joesley Batista, ligado à JBS por meio da holding J&F, estaria entre os articuladores do encontro entre Lula e Trump, segundo reportagem da Reuters. Sua presença em Washington no mesmo dia do encontro presidencial gerou especulações sobre a importância do lobby da carne nesse cenário.
Em 2024, a subsidiária da JBS, Pilgrim’s Pride, foi uma das maiores doadoras de campanha para Trump, com aporte financeiro de US$ 5 milhões, indicando forte presença brasileira no mercado e na política norte-americana.
Especialistas apontam que a investigação reflete um aumento do protecionismo e das tensões comerciais. A professora Priscila Caneparo, doutora em Direito das Relações Econômicas Internacionais pela PUC-SP, afirma que há uma “contaminação da agenda bilateral por acusações que envolvem concentração de mercado e segurança alimentar”, destacando o tom político da apuração.
Defesas e perspectivas diante da investigação
A MBRF, controladora da National Food, emitiu nota garantindo atuação em conformidade com as leis de defesa da concorrência e afirmou que a National Beef, sua subsidiária, mantém parceria com cerca de 700 produtores locais, que detêm cerca de 18% do capital.
Até o fechamento da reportagem, JBS, J&F e órgãos oficiais dos EUA não haviam se manifestado publicamente sobre a investigação. A decisão de recompensar financeiramente denúncias sobre práticas suspeitas reforça o caráter estratégico da medida para o governo Trump, que enfrenta o desafio da inflação alimentar em ano de eleições legislativas.
Segundo Natali Hoff, doutora em Ciência Política pela UFPR, o governo americano busca “terceirizar” a culpa pela alta no preço da carne, focando em empresas estrangeiras para reforçar um discurso nacionalista e protecionista.
Essa situação abre um novo capítulo na relação econômica entre Brasil e Estados Unidos, ao colocar grandes empresas brasileiras sob suspeita num setor tão estratégico quanto o da produção de alimentos.
Com informações de G1
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