Investigação apura manipulação digital com deepfake para sexualizar jovens evangélicas, gerando repercussão na comunidade e medidas legais.
Conforme informação divulgada pelo g1, a Polícia Civil de São Paulo investiga um influenciador digital que utilizou inteligência artificial para criar vídeos com conteúdo sexualizado envolvendo fotos manipuladas de adolescentes e mulheres da igreja Congregaçã Cristã do Brasil (CCB). O caso gerou comoção entre as vítimas e a comunidade religiosa.
O suspeito, Jefferson de Souza, conhecido por seu canal “Humor do Crente” e por imitar o apresentador Silvio Santos, nega as acusações. Ele justificou que suas publicações têm caráter humorístico e que não tinha a intenção de ofender.
As investigações correm na 8º Delegacia de Defesa da Mulher em São Paulo e já resultaram na abertura de inquérito por crimes contra crianças e adolescentes, além de possível difamação.
Uso de inteligência artificial para manipulação e sexualização sem consentimento
Jefferson de Souza, de 37 anos, é apontado como responsável por criar vídeos usando a técnica de deepfake, que combina inteligência artificial para alterar imagens, fazendo parecer que as jovens evangélicas participaram de cenas sensuais dentro de templos da CCB.
Entre as vítimas está uma estudante de 16 anos que teve uma foto de culto, onde usava vestes respeitando o código da igreja, manipulada e inserida em vídeos com conteúdo erótico. O caso levou a família a registrar denúncia contra o influenciador e pedir indenização por danos morais.
Outras vítimas também relataram ter imagens alteradas e usadas sem autorização, evidenciando um padrão do influenciador em usar fotos públicas para fins de difamação e exposição indevida. A polícia recebeu denúncias e pede para que eventuais outras vítimas se manifestem.
Repercussões legais e sociais do uso indevido da tecnologia
O episódio expõe uma nova faceta dos riscos do uso ilegal da inteligência artificial, pois o deepfake facilita a criação de conteúdo falso que pode destruir a imagem de pessoas, sem que estas tenham controle sobre o uso de suas imagens.
Especialistas ouvidos pelo g1 reforçam que o uso de IA não isenta a responsabilidade legal do criador e disseminador desses materiais. A advogada Nuria López destaca que a intenção de ofender fica clara quando o material mistura imagens das vítimas com cenas sexualizadas, configurando difamação.
Organizações como SaferNet Brasil destacam o crescimento desse tipo de violência digital e a necessidade de apoio às vítimas para evitar que se sintam culpadas, além da importância de dados para fortalecer políticas públicas de combate à prática.
Declarações do investigado e resposta das autoridades e plataformas digitais
Jefferson de Souza reconheceu em depoimento o uso das imagens e ferramentas do TikTok para animar e criar os vídeos, afirmando acreditar que as fotos eram de pessoas adultas e que seus conteúdos tinham cunho humorístico e críticas à igreja.
Em vídeo recente, ele pediu desculpas pelos conteúdos postados, mas não se referiu explicitamente aos vídeos com jovens sexualizadas. O influenciador disse que produz as matérias para chamar atenção e ganhar seguidores.
A Congregaçã Cristã do Brasil informou que não possui registro formal de membros e apoia medidas legais cabíveis. Plataformas como TikTok e YouTube afirmam ter retirado conteúdos que violavam suas diretrizes, enquanto o Instagram e Facebook não emitiram comentários.
O inquérito segue em andamento e o Ministério Público já solicitou transferência da investigação para a comarca do interior paulista onde Jefferson reside.
Com informações de G1
Aviso Legal:
O Noticias ES reúne, em um único lugar, as principais notícias publicadas pelos maiores portais do Espírito Santo. Organizamos e centralizamos as informações mais relevantes para que você acompanhe os acontecimentos do Estado com praticidade, transparência e respeito às fontes originais.