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Endividamento recorde no Brasil tem angústia e apostas virtuais como causas principais

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O endividamento recorde das famílias brasileiras atinge 80,4%, pressionado por apostas virtuais e altos juros no crédito rotativo dos cartões.

A crise da dívida afeta quase metade dos adultos brasileiros, com consequências diretas na economia e na vida financeira da população. A situação traz um desafio para o governo no ano eleitoral.

A disseminação das plataformas de apostas virtuais e o crédito fácil, porém caro, contribuem para o crescimento dos débitos. Isso gera angústia e limita o consumo das famílias brasileiras.

Confira a seguir as causas, relatos e ações sobre o endividamento recorde no Brasil, com base em levantamento da CNC e Serasa, além de depoimentos de quem vive na prática essa realidade.

Endividamento atinge 80,4% das famílias brasileiras e afeta quase metade dos adultos

Conforme dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 80,4% das famílias brasileiras estavam em março com dívidas. O registro é o maior desde o início das medições em 2010.

Além disso, 29,6% delas tinham dívidas em atraso, e 12,3% não conseguiam pagar esses atrasos. O peso das dívidas compromete em média 29,6% da renda familiar, segundo a pesquisa.

O tipo de dívida mais comum é a do cartão de crédito, que atinge 84,9% das famílias endividadas, seguida por crediário no comércio (16%) e empréstimos pessoais (12,6%).

Já levantamento da Serasa aponta 81,7 milhões de brasileiros inadimplentes em fevereiro, quase 50% da população adulta. O valor médio da dívida por pessoa é de R$ 6.598,13.

Apostas virtuais e crédito rotativo impulsionam crise financeira das famílias

Especialistas apontam três principais motivos para o endividamento crescente: a ampliação do acesso ao crédito, as altas taxas de juros e o crescimento das plataformas de apostas online, as chamadas bets.

Relatos individuais mostram o impacto dessas dívidas. Bárbara Helena, psicóloga autônoma de Florianópolis, acumulou dívidas acima de R$ 20 mil devido a compras parceladas em cartões com juros altos. Ela enfrenta cobranças diárias e estresse.

O crédito rotativo do cartão pode carregar juros médios anuais de 435,9%, segundo dados do Banco Central de fevereiro, o que aumenta a bola de neve da dívida.

Cultura da compra parcelada amplia o endividamento estrutural

O geógrafo Kauê Lopes dos Santos, da Unicamp, explica que o parcelamento é parte da rotina financeira das famílias, especialmente das periferias, onde o consumo via crédito é um modus operandi desde os anos 2000.

Ele alerta que o compromisso mensal com parcelas reduz a possibilidade de planejamento e ascensão social, pois o rendimento acaba destinado ao pagamento de juros e dívidas.

O drama do vício em apostas virtuais

Nicole, de 21 anos, do interior da Bahia, exemplifica o efeito devastador das apostas virtuais no endividamento. Ela acumulou mais de R$ 10 mil em dívidas por empréstimos tomados para apostar, vindo a perder a saúde mental e o casamento.

Outro caso similar é o de Otávio, empresário de Minas Gerais, que perdeu sua poupança e vendeu o carro para cobrir dívidas do jogo, acumulando cerca de R$ 30 mil em débitos.

Medidas em estudo e desafios para conter a crise do crédito no Brasil

Diante do cenário, o governo planeja uma nova edição do programa Desenrola para renegociar dívidas. A proposta inclui liberar até R$ 7 bilhões do FGTS para quitar débitos e regular o uso das plataformas de apostas.

Para o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, uma solução efetiva passa pela educação financeira, maior controle na concessão de crédito, competição bancária e redução dos juros básicos da economia, atualmente em 14,75% ao ano.

A Febraban defende que as instituições financeiras possuem critérios rigorosos na análise e que o crédito rotativo é emergencial, justificado pelo maior risco de inadimplência.

No entanto, a combinação da maior bancarização com falta de educação financeira e juros altos acentuou a crise.

Especialistas ressaltam que o impacto do Desenrola anterior foi temporário, sem alterar os fatores estruturais do endividamento das famílias.

O cenário preocupa pelo potencial repercussão nas eleições de 2026, pois o endividamento afeta diretamente a percepção dos brasileiros sobre a economia e o governo.

O desafio envolve informar a população sobre medidas em andamento e conter o avanço do endividamento especialmente causado por apostas virtuais.

Com informações de G1


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