O endividamento das famílias brasileiras atinge níveis recordes, contrariando o cenário favorável de emprego e renda crescente, por conta do custo de vida, juros elevados e dependência do crédito.
Apesar da melhora no mercado de trabalho e crescimento da renda, muitos brasileiros seguem endividados.
Fatores externos e comportamento financeiro influenciam esse panorama.
Veja neste artigo as razões e dados que explicam essa realidade.
Endividamento cresce mesmo com emprego em alta e renda maior
Conforme informação divulgada pelo g1, o endividamento das famílias brasileiras atingiu 80,9% em abril, o maior valor da série da Confederação Nacional do Comércio (CNC). A inadimplência também permanece alta, com 29,6% das famílias com dívidas atrasadas.
Esses números contrastam com indicadores positivos, como o desemprego reduzido a 6,1% no trimestre encerrado em março e a renda média mensal acima de R$ 3.722, segundo o IBGE. Apesar disso, os brasileiros continuam no vermelho.
Segundo o economista Flávio Ataliba, do FGV Ibre, a explicação está no custo de vida elevado e na alta dos juros, que pressionam o orçamento mesmo diante de uma economia aquecida.
Juros altos, inflação e aumento do custo de vida pesam no bolso das famílias
Após a pandemia, o Brasil reduziu drasticamente a taxa básica de juros para 2% em 2020, o que incentivou o consumo e aumentou o endividamento familiar. Entretanto, a inflação disparou entre 2021 e 2022, levando o Banco Central a elevar a Selic a 13,75% em agosto de 2022 e depois a 15% em junho de 2025, maior nível desde 2006.
Essa alta encarece o crédito e reduz a capacidade de consumo, mas as dívidas já acumuladas seguem pesando no orçamento dos brasileiros.
Em março de 2024, as famílias destinavam 41,8% do orçamento a gastos essenciais como habitação, transporte e alimentação, segundo o IBGE, o que dificulta quitar dívidas e aumenta o aperto financeiro.
Inflação alta principalmente em alimentos mantém pressão sobre orçamento
A inflação nos alimentos básicos acumulou 7,81% em 12 meses até abril de 2025, inflação superior à média geral de 5,53% no mesmo período, de acordo com o IBGE. Alimentos como carnes, arroz, feijão e leite tiveram aumentos expressivos.
Para 71% dos brasileiros, a capacidade de compra diminuiu no último ano, segundo pesquisa Quaest. Esse cenário afeta diretamente o poder de compra e amplia a sensação de aperto financeiro, mesmo com crescimento do PIB e do emprego.
Comportamento financeiro e falta de educação agravam o endividamento
A economista Olívia Resende, especialista em finanças comportamentais, explica que o viés do presente faz com que muitas pessoas ignorem o custo total das dívidas, focando apenas na parcela mensal. Assim, mantêm hábitos de consumo mesmo com juros altos.
Além disso, o fácil acesso ao crédito digital, o marketing e estímulos externos alimentam essa dependência. A falta de educação financeira contribui para a dificuldade de planejar as finanças, perpetuando o ciclo de dívidas.
Segundo uma pesquisa da Creditas e Opinion Box, 59% dos brasileiros iniciaram o ano sob pressão financeira, e a imprevisibilidade, falta de disciplina e renda limitada são os principais obstáculos para o planejamento eficiente.
O cartão de crédito é a modalidade de dívida mais comum para 84,9% dos consumidores endividados, com uso frequente do parcelamento, destaca a CNC.
Essa “normalização do endividamento” gera uma sensação equivocada de que estar endividado é comum, reduzindo o senso de urgência para resolver o problema, alerta Olívia.
Para enfrentar o problema estruturalmente, ela defende a ampliação da educação financeira desde a escola e que envolva toda a sociedade, aliando soluções imediatas e mudança de comportamento a longo prazo.
Com informações de G1
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