Ter um emprego na Argentina não assegura viver fora da pobreza, mostra crescimento da informalidade e salários reduzidos, segundo institutos públicos e privados.
A situação do mercado de trabalho na Argentina tem impactado a vida de muitas pessoas. Apesar de manter um emprego formal, diversos trabalhadores não conseguem sair da pobreza.
A economia enfrenta desafios como inflação elevada e deterioração dos salários reais, piorando o poder de compra.
A análise mostra que os dados oficiais da redução da pobreza são questionados, e o crescimento do trabalho informal dificulta a mobilidade social.
O paradoxo do emprego formal e a pobreza crescente
Conforme informações divulgadas pelo G1, a realidade do emprego na Argentina mostra que ter trabalho não é mais garantia para escapar da pobreza. Antonela, uma administradora de 37 anos que trabalha em um instituto privado na capital Buenos Aires, é um exemplo.
Mesmo com emprego formal e salário acima do mínimo, ela precisa complementar a renda com um segundo trabalho, sem remuneração fixa, para cobrir as despesas do cotidiano.
Estudos do Instituto Interdisciplinar de Economia Política da Universidade de Buenos Aires (UBA) apontam que a falta de segurança no trabalho formal e a queda nos salários reais são dramáticos. O salário mínimo do país está inferior ao registrado durante a crise de 2001.
O crescimento dos trabalhadores pobres e dos informais
O fenômeno dos trabalhadores pobres – que recebem salários insuficientes para sair da pobreza – tem se ampliado. O Instituto de Estudos sobre a Realidade Argentina e Latino-Americana da Fundação Mediterrânea registrou em outubro que um em cada cinco trabalhadores argentinos é pobre.
Além disso, o Instituto Interdisciplinar de Economia Política informou que entre os trabalhadores informais, esse índice sobe para um em cada três.
O emprego informal, caracterizado pela falta de direitos trabalhistas básicos, atinge cerca de seis milhões de argentinos, especialmente jovens e mulheres, complicando ainda mais o cenário social.
Questionamentos sobre os dados oficiais e desafios da metodologia
O governo argentino comemora a redução da pobreza para 28%, recorde em sete anos, com base em dados do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec). Porém, analistas externos alertam para limitações na metodologia de cálculo.
Daniel Schteingart, da plataforma Argendata-Fundar, aponta que em períodos de inflação alta, a metodologia pode causar distorções sobre o nível real da pobreza, exagerando suas variações.
Além do efeito metodológico, a redução ocorre após alta abrupta da pobreza para quase 53% no início do governo de Javier Milei, que desvalorizou a moeda, complicado o cenário do trabalhador.
Consequências para a vida dos argentinos e a mobilidade social
A precariedade trabalhista não impacta apenas os salários, mas afeta diretamente o estilo de vida dos trabalhadores formais, como Antonela, que indica perda gradual do poder aquisitivo e necessidade de múltiplos empregos.
Segundo dados da Universidade Católica Argentina (UCA), cerca de 20% dos trabalhadores formais e 26% dos informais vivem em situação de pobreza. Entre os formais, o impacto da informalidade enfraquece as condições de trabalho.
O fenômeno gera uma diminuição da mobilidade social ascendente, com quatro em cada dez argentinos afirmando estar em pior situação econômica do que seus pais.
Enquanto espera melhorar sua condição, Antonela resume o sentimento de muitos trabalhadores: “Tudo o que faço agora é sobreviver”.
Com informações de G1
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