O governo federal ampliou a lista de empregadores envolvidos em trabalho escravo, com 169 inclusões, incluindo nomes famosos e empresas relevantes.
A atualização da lista suja reflete avanços no combate a condições precárias de trabalho. A lista agora soma cerca de 613 empregadores.
Casos ocorreram em 22 estados e resultaram no resgate de mais de 2 mil trabalhadores.
Essa matéria detalha as inclusões, os impactos e a atuação do governo nesse enfrentamento.
Atualização da lista suja do trabalho escravo em 2026
Conforme informação divulgada pelo g1, o governo federal atualizou nesta segunda-feira (6) a lista suja do trabalho escravo, incluindo 169 novos empregadores flagrados submetendo trabalhadores a condições análogas à escravidão. A lista pública agora conta com cerca de 613 nomes entre pessoas físicas e jurídicas.
Entre os novos nomes, destacam-se o cantor Amado Batista e a montadora chinesa de carros elétricos BYD, com casos registrados entre 2020 e 2025, em 22 unidades da federação. Minas Gerais lidera o número de empregadores com 35 inclusões, seguida por São Paulo e Bahia.
A atualização expõe os setores mais afetados, com destaque para serviços domésticos, criação de bovinos para corte e o cultivo de café. No total, os casos resultaram no resgate de 2.247 trabalhadores em situação de exploração.
Casos emblemáticos: BYD e Amado Batista
No caso da BYD, 220 trabalhadores chineses foram encontrados em condições precárias em alojamentos na obra da fábrica em Camaçari (BA). Estavam sob vigilância armada, com passaportes retidos e contratos com jornadas exaustivas. O Ministério Público do Trabalho da Bahia firmou acordo de R$ 40 milhões com a empresa e empreiteiras envolvidas para indenizações e medidas reparadoras.
A montadora declarou não tolerar violações à legislação e aos direitos humanos, encerrando contrato com a construtora terceirizada responsável. A BYD informou que transferiu parte dos trabalhadores para hotéis e mantém compromisso com direitos dos trabalhadores, embora até o momento não tenha respondido sobre a inclusão na lista.
Já o cantor Amado Batista aparece em duas autuações em Goianápolis (GO), relacionadas a propriedades rurais. Sua assessoria negou irregularidades e destacou que os trabalhadores permanecem em atividade, devidamente registrados e recebendo direitos trabalhistas. A nota explicou que as fiscalizações encontraram irregularidades em contratação terceirizada, que já estão sendo corrigidas.
Processo de inclusão e permanência na lista suja
A inclusão na lista ocorre após processo administrativo concluído sem possibilidade de recurso. Os nomes permanecem por dois anos, podendo sair antes caso regularizem a situação e não reincidam. Desde julho de 2024, existe a possibilidade de inclusão em lista alternativa, quando o empregador assume compromissos de indenização e apoio aos trabalhadores resgatados.
A lista suja foi criada em 2004 e superou interrupções entre 2014 e 2016, após decisão do STF garantir sua constitucionalidade. O Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM), ativo há 30 anos, resgatou mais de 68 mil trabalhadores e assegurou pagamentos superiores a R$ 160 milhões em salários e verbas rescisórias.
Como denunciar e as próximas ações
Denúncias podem ser feitas pelo Sistema Ipê, canal especializado e anônimo para trabalho análogo à escravidão. A fiscalização pode contar com apoio de diversas instituições, incluindo Defensoria Pública, Ministério Público, Polícias Federal e Rodoviária.
Essas ações são contínuas para garantir direitos e combater a exploração, sendo fundamentais para o enfrentamento das práticas ilegais que persistem no país.
Com informações de G1
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