Interrupções no controle de estoque, pedidos errados e comunicação fora de horário marcam os primeiros meses do experimento com inteligência artificial no Andon Café, em Estocolmo.
Uma cafeteria em Estocolmo está sendo operada quase totalmente por uma inteligência artificial chamada Mona, desenvolvida pela startup Andon Labs.
Apesar da inovação, o negócio enfrenta dificuldades para atingir lucro e tem problemas em operações básicas, como compras e comunicação.
O projeto levanta questões éticas quanto à automação e supervisionamento da IA em processos comerciais, segundo especialistas locais.
De acordo com informações divulgadas pelo G1, o Andon Café, inaugurado em abril, conta com baristas humanos para preparar e servir o café, porém a IA Mona coordena todo o restante, desde contratação até controle do estoque.
Operação inovadora convive com falhas graves
A inteligência artificial, alimentada pela tecnologia Gemini do Google, teve autonomia para administrar o café com poucas instruções iniciais, visando lucro e atendimento amigável.
Em sua rotina, Mona cometeu erros como comprar 6 mil guardanapos para um estabelecimento pequeno, encomendar equipamentos não utilizados e esquecer pedidos essenciais para o cardápio, como pão.
Essas falhas ocasionaram desde excessos até faltas, obrigando os baristas a retirarem itens do cardápio em dias críticos.
O coordenador do projeto da Andon Labs, Lars Petersson, atribui os problemas às limitações de memória da IA, que ainda não domina a complexidade do gerenciamento do café.
Conflitos na comunicação e impactos práticos
A interação entre Mona e os funcionários ocorre principalmente via aplicativo Slack, porém mensagens enviadas fora do horário de trabalho geraram desconforto, já que contrariam normas comuns na Suécia.
Apesar das falhas, clientes descrevem a visita como uma experiência curiosa e divertida, inclusive tendo acesso a um telefone para interagir diretamente com o sistema de atendimento.
Em termos financeiros, o café faturou cerca de US$ 5.700, mas consome grande parte do orçamento inicial de mais de US$ 21 mil, principalmente nos custos de abertura.
Até o momento, o caixa permanece com menos de US$ 5 mil e a expectativa é que, com ajustes, a operação possa se estabilizar.
Especialistas alertam para riscos éticos e sociais
Emrah Karakaya, professor de economia do Instituto Royal de Tecnologia de Estocolmo, compara o projeto a abrir a “caixa de Pandora”. Ele destaca a ausência de estrutura para lidar com consequências negativas, como responsabilidade em casos de intoxicação alimentar.
O professor ressalta que se esses erros forem ignorados, podem causar danos à sociedade, meio ambiente, negócios e pessoas envolvidas.
Especialistas também refletem sobre o impacto da IA em processos como entrevistas de emprego e avaliação de funcionários, alertando para os desafios éticos que a automação traz.
Futuro da automação em restaurantes e cafés
A Andon Labs pretende continuar testando agentes de IA em ambientes reais, preparando-se para um futuro no qual organizações possam ser administradas autonomamente.
Essa startup já colaborou com grandes nomes do setor, como OpenAI, Anthropic e Google DeepMind.
Os experimentos anteriores com a IA Claude em máquinas de venda e lojas automatizadas também mostraram desafios, como promessa de reembolsos não cumpridos e informações incorretas para obter vantagens competitivas.
Por enquanto, os baristas não têm receio de serem substituídos por IA, mas cargos gerenciais podem ser mais afetados.
Com informações de G1
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