Brasil domina o comércio entre União Europeia e Mercosul, concentrando exportações e importações estratégicas, revelando uma relação econômica desigual entre os blocos.
O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, assinado em 17 de maio de 2025, aproxima cadeias produtivas de dois continentes, mostrando a centralidade do Brasil nas negociações.
Enquanto o Brasil lidera o peso econômico do Mercosul nas trocas com a UE, Argentina, Uruguai e Paraguai têm participação secundária e menos influência.
Este texto detalha os impactos do tratado, dados comerciais e as dinâmicas envolvidas entre os países do Mercosul e o bloco europeu, conforme informação divulgada pelo g1.
Brasil, o eixo central da relação comercial entre UE e Mercosul
A assinatura do acordo comercial representa uma mudança histórica, com a redução gradual de tarifas que atualmente ultrapassam 90% do comércio entre os blocos. Dados da Comissão Europeia indicam que o Brasil responde por mais de 82% das importações europeias oriundas do Mercosul e cerca de 79% das exportações do bloco para a União Europeia.
Isso coloca o país como protagonista nas trocas e negociações, relegando Argentina, Uruguai e Paraguai a uma posição menos relevante no tratado.
Dependência tecnológica do Brasil em relação à União Europeia
As importações brasileiras da UE são altamente concentradas em produtos tecnológicos essenciais, como medicamentos, autopeças, motores, aeronaves e equipamentos de controle. No total, o Brasil importou US$ 50,3 bilhões em 2025, dos quais cerca de 57% foram adquiridos de três países: Alemanha, França e Itália.
Essa dependência impacta diretamente os custos de produção no Brasil, que atualmente sofre tributação elevada sobre insumos, chegando a 35% ou 40%, conforme afirmou José Pimenta, diretor de Comércio Internacional e sócio da BMJ Consultoria. A retirada das tarifas poderá reduzir esses custos e beneficiar produtores nacionais.
Para a União Europeia, Brasil é fornecedor estratégico de matérias-primas
A UE considera o Brasil um parceiro essencial para o fornecimento de matérias-primas e produtos básicos, necessários para o abastecimento alimentar e energético do continente. Em 2025, as exportações brasileiras à UE somaram US$ 49,81 bilhões, com destaque para óleo bruto de petróleo, café, farelo de soja, minérios de cobre e ferro, e celulose.
A Holanda figura como principal destinatária, atuando como hub logístico europeu, especialmente pelo porto de Roterdã. Espanha, Alemanha, Itália e Bélgica também são mercados fundamentais, interessados no acordo para diversificar suas cadeias produtivas em um cenário global instável.
O papel menor dos demais países do Mercosul no acordo
Argentina, Uruguai e Paraguai possuem participação reduzida nas relações comerciais com a UE. As exportações da Argentina em 2024 foram quase cinco vezes menores que as do Brasil. A instabilidade política e a ruptura no diálogo entre Brasil e Argentina limitam ainda mais a influência argentina.
O Uruguai, com crescimento gradual e institucionalidade mais estável, enfrenta desafios em normas ambientais para competir no mercado europeu. O Paraguai mantém comércio estagnado e menor peso econômico, apesar de assumir a presidência temporária do Mercosul em 2026, etapa final da ratificação do acordo.
Assim, a estrutura econômica e política do acordo evidencia uma desigualdade marcante na integração regional e no protagonismo diante da União Europeia.
Com informações de G1
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