Nova tarifa global de 15% começa a vigorar para o Brasil, após Suprema Corte derrubar tarifas anteriores aplicadas por Trump
A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou as principais tarifas impostas pelo ex-presidente Donald Trump. Em resposta, Trump anunciou a implementação de uma nova tarifa global temporária, que foi ampliada de 10% para 15% neste sábado, afetando o comércio com o Brasil.
O governo brasileiro avalia que a nova alíquota, aplicada de modo uniforme a todas as nações que mantêm relações comerciais com os EUA, não prejudica a competitividade do país. O impacto da antiga sobretaxa, que chegou a 40% para alguns produtos, foi eliminado pela corte.
Este texto traz um panorama completo das mudanças, seu impacto sobre os produtos brasileiros e a reação oficial dos governos brasileiro e americano, conforme informação divulgada pelo g1.
Contexto e decisões recentes sobre o tarifaço de Trump
Em abril de 2025, o então presidente Donald Trump impôs sobretaxas adicionais de 10% sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, como parte de sua política comercial expansionista. Posteriormente, a alíquota sobre aço e alumínio brasileiros foi elevada a 50%, segundo a Seção 232 da Lei de Comércio dos EUA.
Além disso, em julho de 2025, uma sobretaxa de até 40% foi imposta a diversos produtos, gerando forte impacto sobre as exportações brasileiras. Alguns setores, como café, carnes e frutas, foram posteriormente isentos após negociações diretas entre os presidentes Lula e Trump.
No dia 20 de fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos EUA invalidou o uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) para impor essas tarifas amplas, derrubando as sobretaxas recíprocas de 10% e o aumento de 40%. No entanto, as tarifas sobre aço e alumínio permaneceram vigorando, baseadas em outro dispositivo legal.
Nova tarifa global temporária de 15% e suas implicações para o Brasil
Logo após a decisão da Suprema Corte, Trump anunciou uma nova sobretaxa global temporária, inicialmente de 10%, que foi elevada para 15% no sábado seguinte. A nova alíquota está prevista para entrar em vigor às 00h01 do dia 24 de fevereiro de 2026, horário de Washington.
Essa tarifa de 15% abrange todos os países com relações comerciais com os EUA, incluindo o Brasil, salvo algumas exceções específicas para minerais críticos, produtos agrícolas e componentes eletrônicos.
O especialista em comércio exterior Jackson Campos esclarece que essa tarifa se soma às tarifas normalmente aplicadas aos produtos, resultando em uma sobretaxa efetiva de 15% sobre as exportações brasileiras. Já as tarifas de 50% para aço e alumínio permanecem vigentes e são cumulativas com os 15%, mantendo o custo desses insumos elevados para o mercado americano.
Impactos para o comércio brasileiro e avaliação do governo
De acordo com a Confederação Nacional da Indústria, a decisão da Suprema Corte afeta cerca de US$ 21,6 bilhões em exportações brasileiras para os EUA. Antes da anulação, 22% dessas exportações estavam sujeitas à sobretaxa de 40%.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, comemorou a decisão da corte e destacou que, apesar do aumento da tarifa global para 15%, não há perda de competitividade porque a cobrança é aplicada igualmente a todos os parceiros comerciais dos EUA.
Alckmin ressaltou que algumas categorias tiveram suas tarifas zeradas, como combustível, carne, café, celulose, suco de laranja e aeronaves, e apontou que a medida abre espaço para negociações bilaterais que serão tratadas na visita do presidente Lula aos EUA em março.
Brasil e China são os maiores beneficiados com redução média de tarifas
Relatório da Global Trade Alert indica que o Brasil será o país mais beneficiado com a redução média das tarifas, que cai 13,6 pontos percentuais. A China, que também é beneficiada, terá uma redução média de 7,1 pontos percentuais, seguida da Índia, com queda de 5,6 pontos.
Por outro lado, aliados importantes dos EUA, como Reino Unido, União Europeia e Japão, enfrentarão um aumento nas tarifas, respectivamente em 2,1, 0,8 e 0,4 pontos percentuais. Essa reconfiguração altera o cenário comercial global, beneficiando países com grande volume de exportações para os EUA, como o Brasil.
Com informações de G1
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