Com a inteligência artificial automatizando a triagem de currículos, muitos profissionais qualificados ficam invisíveis. Entenda as mudanças recentes nos processos seletivos e o que dificulta o retorno das empresas.
Ampliam-se rapidamente as mudanças nos processos seletivos no Brasil. Mais candidatos competem por menos vagas, e a inteligência artificial (IA) virou filtro inicial nas seleções.
A busca por emprego tornou-se mais desafiadora. Mesmo profissionais experientes relatam falta de respostas e processos que parecem travados.
Este texto traz uma análise das transformações digitais e humanas que impactam os candidatos. Saiba por que as respostas demoradas e a triagem automatizada causam frustração.
Inteligência artificial domina etapas iniciais e dificulta avanço de candidatos
Conforme informação divulgada pelo G1, empresas estão recorrendo a ferramentas de inteligência artificial para organizar, priorizar e filtrar os currículos antes do contato humano. Essa mudança tem dificultado a visibilidade de candidatos, mesmo dos mais qualificados.
Para Samanta Santos, engenheira de produção que envia currículos há meses sem retorno, a IA atua como um filtro rígido. Ela afirma que, se o currículo não contém as palavras certas, não passa. “O robô afunila demais. Ele não vê o potencial”, explica.
Essa experiência virou comum, pois seis em cada 10 profissionais relataram sentir a busca por emprego mais difícil em 2025, segundo levantamento do LinkedIn. A concorrência cresceu e os processos ficaram mais exigentes.
Candidatos recorrem à tecnologia para tentar driblar filtros automáticos
Mais da metade das organizações já usam IA para o recrutamento, enquanto cerca de um terço dos usuários do ChatGPT aplicam a ferramenta para auxiliar suas candidaturas. Isso cria uma dinâmica em que sistemas filtram candidatos, e os mesmos candidatos usam algoritmos para tentar se destacar.
O aumento da mobilidade profissional no Brasil, que conta com índices de desemprego historicamente baixos segundo o IBGE, contribui para a elevada concorrência. Muitos aplicativos de vagas recebendo milhares de inscrições de profissionais qualificados tornam a triagem inicial essencialmente digital.
Jhennyfer Coutinho, da Gupy, destaca que essas plataformas conseguem aplicar filtros eficientes mesmo para processos com volumes altíssimos, como 17 mil candidatos em poucos dias, sem comprometer a velocidade da triagem inicial.
Processos seletivos mais lentos e pouca transparência geram desgaste emocional
Apesar do uso da tecnologia na fase inicial, as etapas que dependem exclusivamente do humano, como entrevistas e validações, continuam atrasando decisões. Isso cria a sensação para o candidato de que seu processo está parado, mesmo que a empresa ainda avalie perfis.
Thomas Costa, da Redarbor, explica que muitas companhias mantêm processos em aberto silenciosamente, aguardando o momento certo para reaproveitar candidaturas. Essa prática gera o fenômeno das “vagas fantasmas”.
Além disso, a falta de transparência e comunicação agrava a frustração. Conforme levantamento do LinkedIn, 29% dos brasileiros não entendem como a IA é aplicada nos processos, e 28% desconfiam da justiça na avaliação das candidaturas. O principal desgaste é a ausência de retorno.
Empresas buscam melhorar transparência e eficiência, mas desafios persistem
A Gupy adotou o fechamento trimestral de vagas inativas para mitigar esse problema, identificando milhares de processos parados que acumulam milhões de candidaturas. Conforme a companhia, é natural que o funil seja estreito, já que 36 milhões de inscrições concorrem a cerca de 1 milhão de vagas em 2024.
Os especialistas entrevistados concordam que acelerar os processos seletivos depende mais de decisões internas e maior transparência do que exclusivamente de tecnologia. A comunicação consistente, mesmo que breve, mantém viva a sensação de acompanhamento humano.
Samanta Santos, que vive o impasse há quase seis meses, resume o sentimento comum: “uma hora vai, só queria que o caminho fosse menos escuro“.
Com informações de G1
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