sábado , 13 junho 2026
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Suspensão da lista de espécies invasoras abre diálogo sobre tilápia e biodiversidade no Brasil

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A suspensão temporária da lista nacional de espécies exóticas invasoras permite a revisão da inclusão e retirada de organismos, incluindo a tilápia, visando proteção ambiental e interesses econômicos.

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) suspendeu temporariamente a tramitação da lista nacional de espécies exóticas invasoras. Essa medida visa possibilitar a inclusão ou retirada de espécies da relação, após um aumento significativo de manifestações de setores produtivos, especialmente sobre a tilápia, uma espécie importante para a aquicultura brasileira.

A decisão atende a um pedido de prorrogação feito pelo Ministério da Pesca para analisar detalhadamente espécies de interesse econômico, entre elas a tilápia, e estende o prazo para contribuições até 29 de dezembro. Conforme informação divulgada pelo g1, a paralisação deve permitir uma avaliação mais completa de diferentes setores afetados.

O processo, originalmente coordenado pela Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio), terá sua lista revisada com categorias diferenciadas para espécies invasoras, contemplando aquelas com alto impacto ambiental e outras de interesse econômico já licenciadas.

Revisão e categorização ampliam debate sobre espécies invasoras e economia

Segundo Rita Mesquita, secretária nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do MMA, a lista envolve mais de 400 espécies variadas, como peixes, mamíferos, árvores e fungos. A tilápia não é a única analisada, e a secretária destaca que espécies exóticas invasoras são uma das principais causas de perda de biodiversidade global. Para organizar a lista, serão criadas categorias que indicam tratamentos diferentes conforme o potencial de impacto e o interesse econômico.

Mesquita enfatiza que o processo suscita manifestações de múltiplos setores governamentais e da sociedade. O Ministério da Saúde, da Agricultura, da Pesca e das Minas e Energia serão consultados, devido às diferentes interferências das espécies na saúde pública, na produção agrícola, na aquicultura e até na geração de energia elétrica.

Um exemplo emblemático é o pirarucu, peixe nativo da Amazônia, que, quando introduzido em outras regiões, pode se tornar uma espécie invasora causando desequilíbrio ecológico local. Isso mostra que mesmo espécies nativas podem ser invasoras em ambientes fora de seu habitat natural.

Suspensão da lista é preventiva e não impõe restrições ao comércio

O MMA esclarece que a lista tem caráter técnico e preventivo, sem oferecer proibições ou restrições imediatas ao consumo, cultivo ou comércio das espécies incluídas. Ela serve para monitorar e identificar organismos com potencial invasor e possibilitar ações antecipadas para proteger a biodiversidade nativa.

No caso da tilápia, cuja criação é licenciada e monitorada pelo Ibama, a inclusão na lista visa reforçar a vigilância, não impactando a produção ou comercialização. Mesquita destaca que não há proibição ou restrição direta pela lista, que tem foco em prevenção e detecção precoce de riscos ambientais.

O monitoramento acompanha se a espécie consegue estabelecer populações fora das áreas controladas, cenário que demandaria ações para minimizar impactos negativos.

Lista será aprimorada para contemplar diversidade de interesses e impactos

Com a suspensão e a ampliação do prazo, espera-se ajustes baseados em novas evidências científicas, mudanças climáticas e análises da distribuição geográfica das espécies. O MMA planeja categorizar as espécies em grupos distintos para criar protocolos específicos de manejo e controle.

Um exemplo citado é a planta invasora “unha-do-diabo”, que prejudica a palmeira nativa carnaúba na Caatinga, afetando extrativistas e a economia local. Esse caso ilustra a complexidade do desafio que a lista busca enfrentar ao equilibrar conservação e atividade econômica.

Mesquita reforça que o objetivo é proteger a biodiversidade e garantir as melhores práticas para os setores produtivos sem gerar prejuízos sociais ou econômicos: “Não é de maneira nenhuma um objetivo nosso causar qualquer tipo de prejuízo ou perda a nenhum segmento da sociedade brasileira”.

Próximos passos e expectativas para a lista nacional

A lista só deve avançar após a análise das manifestações e realização de reuniões setoriais. Será encaminhada uma recomendação à MMA, que consultará outros ministérios envolvidos antes da versão final. Ainda não há previsão para a retomada da tramitação.

A secretária conclui ressaltando que as exigências de manejo e prevenção resultarão em mais segurança e eficiência para os negócios relacionados a espécies exóticas, sem qualquer intenção de proibir a atividade, mas de assegurar salvaguardas para a proteção ambiental.

Com informações de G1


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