Modelo Claude Mythos pode encontrar falhas em códigos antigos com agilidade preocupante, levantando alertas no sistema financeiro global.
Nas últimas semanas, o modelo de inteligência artificial Claude Mythos tem causado grande repercussão ao mostrar capacidades acima da média humana em tarefas de hacking e segurança cibernética. A Anthropic, responsável pelo desenvolvimento do Mythos, afirma que a ferramenta conseguiu detectar vulnerabilidades críticas, algumas presentes há décadas em sistemas essenciais.
O avanço do Mythos deixa autoridades financeiras, reguladores e grandes empresas em alerta, intensificando discussões sobre possíveis riscos e estratégias de proteção digital. A União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI) chegam a considerar o impacto da IA no combate a crimes cibernéticos.
Nesta reportagem, você vai entender como funciona esse modelo, os receios e as oportunidades que ele pode trazer ao mercado financeiro e à segurança digital global, conforme informação divulgada pelo G1.
Anthropic cria AI que supera humanos em identificar vulnerabilidades
O Claude Mythos é parte da família Claude, desenvolvido pela Anthropic para rivalizar com gigantes como OpenAI e Google. Apresentado no início de abril como “Mythos Preview”, o modelo demonstrou habilidade avançada em localizar e explorar bugs inativos em códigos escritos há décadas.
Estes resultados foram obtidos em testes com “red teams”, que verificam como sistemas de IA respondem a desafios de segurança. O Mythos conseguiu identificar falhas em sistemas operacionais e navegadores populares, sinalizando riscos consideráveis para a infraestrutura digital.
Por isso, a Anthropic optou por limitar o acesso ao modelo, liberando-o para 12 empresas participantes do Project Glasswing, incluindo nomes como Amazon Web Services, Apple, Microsoft, Google, Nvidia e Broadcom. A ideia é usar essa tecnologia para reforçar a segurança, protegendo software considerado crítico.
Impactos e temores no sistema financeiro global
O avanço do Mythos provocou preocupações entre ministros das finanças, bancos centrais e executivos do setor financeiro. O ministro das Finanças do Canadá, François-Philippe Champagne, afirmou que o tema foi discutido em reunião do FMI em Washington e merece atenção de todos os ministros das Finanças.
Andrew Bailey, diretor do Banco da Inglaterra, destacou a necessidade de avaliar cuidadosamente o risco de crimes cibernéticos com o avanço dessa IA, alertando para possíveis ameaças às instituições financeiras. Já a União Europeia mantém diálogo constante com a Anthropic para entender melhor as implicações do modelo.
Especialistas, contudo, mostram ceticismo, ressaltando que o maior perigo do Mythos está em sistemas vulneráveis e mal protegidos. O Instituto de Segurança em IA do Reino Unido avalia que não há confirmação se o Mythos conseguiria comprometer sistemas bem defendidos, enfatizando a importância das boas práticas de cibersegurança.
Desafios, oportunidades e o futuro da segurança digital
Ciaran Martin, ex-chefe do Centro Nacional de Segurança Cibernética do Reino Unido, declarou que a capacidade do Mythos de achar falhas rapidamente realmente assustou o setor. Ele ressaltou que a ferramenta é, de fato, “um hacker muito bom”, capaz de explorar vulnerabilidades conhecidas, muitas vezes sem correções aplicadas.
O debate sobre o Mythos reflete a dualidade do avanço da IA na segurança digital, que pode ser tanto uma ameaça como uma aliada na proteção de sistemas críticos. Segundo Martin, ferramentas como essa representam uma oportunidade para corrigir falhas históricas da internet, tornando ambientes digitais mais seguros no médio prazo.
Em meio a essas discussões, a Anthropic também enfrenta desafios internos. Recentemente, confirmou estar investigando uma denúncia de acesso não autorizado ao modelo Mythos via fornecedores terceirizados, o que reforça a necessidade de controle rigoroso sobre essas tecnologias.
O National Cyber Security Centre do Reino Unido aconselha a calma e reforça o foco na correção da segurança básica, destacando que a maior parte dos ataques cibernéticos ainda ocorre por brechas simples, não precisando de inteligências artificiais avançadas para causar danos.
Com informações de G1
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