Mesmo bloqueadas no Brasil, plataformas como Polymarket e Kalshi ganham força entre políticos e influenciadores de direita. Especialistas indicam que mercado de apostas não substitui pesquisas eleitorais tradicionais.
O governo brasileiro bloqueou plataformas do mercado de previsões em abril de 2026. Apesar disso, Polymarket e Kalshi continuam populares nas redes sociais, especialmente entre apoiadores da direita.
Essas plataformas vendem contratos de aposta sobre eventos futuros, mas sua eficácia para prever eleições é questionada por especialistas. Entenda mais sobre essa polêmica e os riscos envolvidos.
Conforme análise da BBC News Brasil, o debate e o uso dessas plataformas têm sido impulsionados por políticos que contestam pesquisas eleitorais tradicionais.
Polymarket e Kalshi viram alternativa eleitoral na direita brasileira
Polymarket e Kalshi operam no mercado de derivativos, onde os usuários apostam na probabilidade de eventos como eleições ou jogos esportivos ocorrerem. O governo brasileiro proibiu o acesso a mais de 27 sites desse tipo em abril de 2026, alegando falta de regulamentação e risco ao sistema financeiro.
Mesmo bloqueadas, essas plataformas ganharam destaque nas redes sociais brasileiras, em especial entre políticos e influenciadores ligados à direita, que usam os números das apostas para contestar as pesquisas eleitorais tradicionais.
Um exemplo foi o post do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro em 6 de maio, que alegou censura do governo ao bloquear o Polymarket, pois ele mostraria o senador Flávio Bolsonaro liderando a corrida presidencial. Esse post teve altos índices de engajamento.
Diferenças entre apostar e pesquisar votos, segundo especialistas
Especialistas explicam que o mercado de apostas e as pesquisas eleitorais medem coisas distintas. Enquanto pesquisas avaliam a intenção de voto de eleitores, as apostas indicam a probabilidade de vitória calculada com base no valor que os apostadores estão dispostos a arriscar.
Raphael Nishimura, estatístico da Universidade de Michigan, ressalta que as plataformas de apostas reagem à informação disponível no momento, incluindo dados de pesquisas, mas não refletem diretamente a intenção de voto popular.
Além disso, apostas são impulsionadas por buscas de lucro, enquanto pesquisas buscam representar com precisão a opinião pública. Isso implica que os resultados das apostas podem variar muito e ser influenciados por fatores externos.
Riscos e manipulações no mercado de previsões
Análises da Bloomberg News, publicadas em 2026, indicam que quase o dobro das contas da Polymarket perderam dinheiro do que aquelas que tiveram lucro ao apostar valores altos. Ganhos estão concentrados em poucas contas, em geral vinculadas a empresas com equipes especializadas e acesso a ferramentas avançadas.
Existe também o risco de uso de informação privilegiada. Foi denunciado nos EUA um militar que teria lucrado mais de R$ 2 milhões apostando antecipadamente na captura de um presidente estrangeiro, um caso que mostra como informações internas podem distorcer o mercado.
Além disso, ondas de apostas com dinheiro massivo podem manipular probabilidades apresentadas pelas plataformas, sendo uma vulnerabilidade que as pesquisas eleitorais não possuem.
Bloqueio e regulamentação: o que diz o governo e o mercado
A decisão do bloqueio partiu do Conselho Monetário Nacional, com respaldo do Ministério da Fazenda. O ministro Dario Durigan denunciou uma anarquia no setor de 2018 a 2022, afirmando que estas apostas não podem ser tratadas como derivativos regulares no Brasil.
O mercado regulado de apostas esportivas, que já opera legalmente mediante outorgas, pressionou pelo bloqueio de plataformas como a Kalshi por não cumprirem regras brasileiras.
A Kalshi estuda abrir um escritório no Brasil para se legitimar legalmente, enquanto especialistas apontam a necessidade de maior regulamentação para coibir fraudes e proteger o mercado financeiro e os consumidores.
Por fim, existem alternativas para acompanhar probabilidades eleitorais sem recorrer ao mercado de apostas, como agregadores que calculam estimativas com base em pesquisas eleitorais oficiais e modelos estatísticos confiáveis.
Com informações de G1
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