Ibovespa registra forte alta com aporte estrangeiro, mas conflito no Oriente Médio assusta investidores ao gerar volatilidade no mercado brasileiro.
O Ibovespa começou 2026 em forte valorização impulsionado pela entrada recorde de capital estrangeiro. Entretanto, a escalada da guerra no Oriente Médio voltou a preocupar e pode limitar o crescimento do índice. Especialistas afirmam que o rali ainda não acabou, mas mais cautela é recomendada.
Nesta reportagem, detalhamos os motivos que atraíram os investidores ao mercado brasileiro e os riscos trazidos pelo cenário internacional. Confira o impacto desse movimento na bolsa e o que esperar dos próximos meses.
Conforme informação divulgada pelo g1, o saldo de investimento externo somou R$ 42,56 bilhões nos primeiros dois meses do ano, um volume histórico para a B3.
Entrada recorde de capital estrangeiro estimula alta do Ibovespa
Em 2026, o mercado acionário brasileiro recebeu um dos maiores volumes de investimento estrangeiro da última década. Conforme dados da consultoria Elos Ayta divulgados pelo g1, só em janeiro, a entrada líquida foi de R$ 26,4 bilhões, a maior para o mês desde 2022. Em fevereiro, outros R$ 16,9 bilhões foram aportados, totalizando R$ 42,56 bilhões no bimestre.
Esse fluxo robusto contribuiu diretamente para a valorização do Ibovespa, que quebrou recordes ao ultrapassar a barreira dos 190 mil pontos pela primeira vez na história. O índice acumulou 13 novas máximas em apenas dois meses, impulsionado pelas condições favoráveis no Brasil.
Entre os principais atrativos para a entrada estrangeira estão os juros elevados, com a taxa Selic em 15% ao ano, o maior patamar em quase 20 anos. Além disso, as ações brasileiras ainda são consideradas baratas em comparação a mercados desenvolvidos e o Brasil oferece diversificação relevante para carteiras globais.
Conflito no Oriente Médio traz incertezas e queda temporária na bolsa
A escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã no Oriente Médio, iniciada em um ataque recente, tem provocado incerteza global. Desde o início da crise, o Ibovespa recuou cerca de 4,41%, retornando a patamares próximos dos 180 mil pontos.
Esse movimento resulta do fenômeno conhecido como flight to quality, quando investidores deixam ativos de risco, como ações, migrando para ativos considerados mais seguros, como dólar e ouro. O aumento das tensões geopolíticas desencadeou essa reação, pressionando mercados emergentes, incluindo o Brasil.
Especialistas avaliam continuidade e riscos para o rali da bolsa brasileira
Apesar da instabilidade, analistas ouvidos pelo g1 consideram que a tendência de ingresso de capital estrangeiro no mercado brasileiro pode persistir ao longo de 2026.
Flávio Conde, analista da Levante Investimentos, destaca que fatores estruturais ainda favorecem o Brasil, como a perspectiva de queda da Selic após o ciclo atual e a atratividade das ações em dólar. Ele aponta que, mesmo com o conflito, o fluxo pode reduzir, mas dificilmente vai zerar ou reverter em saída de recursos.
Conde também indica que eventuais quedas podem abrir oportunidades para investidores comprarem barato, e que o Ibovespa tem potencial para atingir os 200 mil pontos no médio prazo.
Por outro lado, Ângelo Belitardo, gestor da Hike Capital, ressalta o risco de o índice perder força se prevalecer o movimento global de busca por segurança. A subida da guerra pode aumentar a cautela dos investidores, pressionando o mercado no curto prazo.
Belitardo lembra que, nessas horas, ativos de refúgio ganham valor enquanto bolsas sofrem, o que pode desacelerar o rali brasileiro. Ele aponta que a manutenção da tensão prolongada pode levar à queda ou estagnação do índice até que o cenário internacional se estabilize.
O que esperar para o mercado brasileiro em 2026
O ano de 2026 começa com sinais positivos para a bolsa brasileira, mas o avanço do conflito internacional apresenta um desafio real para investidores.
Para investidores e gestores, manter atenção ao contexto internacional é essencial para equilibrar risco e retorno. O capital estrangeiro segue sendo um motor importante para o Ibovespa, mas permanecerá atento aos capítulos da geopolítica global.
Assim, a continuidade do rali da bolsa dependerá da evolução da guerra no Oriente Médio e sua repercussão na economia mundial, além de indicadores locais como a política monetária e os resultados corporativos no Brasil.
Com informações de G1
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