Os Estados Unidos investem bilhões para ampliar parcerias com empresas brasileiras e garantir fornecimento de minerais críticos essenciais à indústria tecnológica e militar, buscando diminuir a dependência da China.
Os Estados Unidos iniciaram uma ampla ofensiva para garantir o acesso às reservas brasileiras de minerais críticos e terras raras, como nióbio, lítio e cobalto.
O Brasil possui a segunda maior reserva mundial desses minerais, atrás só da China, que hoje domina a cadeia global de produção e refino.
Essa aproximação ocorre entre investimentos econômicos bilionários e negociações políticas, incluindo propostas de acordo para assegurar o fornecimento prioritário dos minerais ao mercado americano.
Conforme informação divulgada pelo G1.
Investimentos bilionários e estratégias de controle
Os EUA planejam investir dezenas de bilhões de dólares para formar parcerias e até se tornarem sócios de mineradoras brasileiras em fase de pesquisa e extração, segundo fontes próximas à negociação.
Em 2025, a mineradora Serra Verde, única em operação, destinou quase 100% da produção de terras raras à China. Em fevereiro de 2026, recebeu US$ 565 milhões da Corporação Financeira dos EUA para o Desenvolvimento Internacional, garantindo participação acionária estratégica.
Além disso, investimentos em outras empresas brasileiras e estrangeiras com autorização para explorar minerais críticos avançam, com foco em Goiás, Minas Gerais e Bahia.
O governo americano exige que, ao entrar em operação, essas minas priorizem consumidores nos EUA e em países aliados, limitando o acesso da China a essas matérias-primas.
Negociações políticas e a postura do Brasil
O governo dos EUA enviou uma proposta preliminar de acordo ao Ministério das Relações Exteriores brasileiro, contendo cláusulas semelhantes às adotadas com a Austrália, incluindo preços mínimos para evitar manipulação de mercado e mecanismos para acelerar licenciamento.
Apesar das negociações, o Brasil mantém cautela e não demonstra pressa para assinar, valorizando sua posição privilegiada e defendendo a diversificação de parceiros comerciais no setor.
O governo brasileiro rejeita a proposta americana de restringir negócios exclusivamente a aliados dos EUA, salientando a importância da China como principal cliente e parceiro comercial nas exportações de terras raras.
Desafios técnicos e a corrida geopolítica
Um grande desafio apontado é a limitada capacidade dos EUA em refinar e processar terras raras, dominada pela China. Hoje, os americanos refinam apenas 11% da produção global, o que dificulta a independência completa no fornecimento.
O tema ganhou destaque na Estratégia Nacional de Segurança dos EUA, dada sua relevância para setores militar e tecnológico, incluindo fabricação de aviões, mísseis e dispositivos eletrônicos.
Especialistas ressaltam que a ofensiva americana integra uma disputa geopolítica mais ampla para redesenhar o mercado global e reduzir a dependência chinesa, enquanto o Brasil pode aproveitar para fortalecer suas cadeias produtivas com parceiros diversos.
Visão brasileira e futuro do setor
O presidente Lula defende que o Brasil não repita o modelo de exportar matérias-primas e importar produtos acabados mais caros. O objetivo é investir na transformação industrial dos minerais dentro do território nacional.
A manutenção da diversidade de compradores é vista como fundamental para proteger os interesses do país, que não deve alinhar-se automaticamente a um único bloco comercial.
Apesar do interesse americano, outros atores globais, incluindo Europa, Japão e Índia, também buscam parcerias estratégicas, tornando o cenário dinâmico e de grande competitividade.
Com informações de G1
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