Investigadores usam desbloqueio, extração de dados e acesso à nuvem para encontrar mensagens e arquivos apagados em investigações.
Descobrir conversas e arquivos apagados em celulares é uma prática comum em investigações policiais. O processo envolve técnicas complexas tanto em aparelhos quanto em serviços na nuvem.
Ferramentas avançadas são usadas para desbloquear dispositivos protegidos e extrair informações ocultas ou deletadas. Ainda, empresas como Apple e Google colaboram mediante ordens judiciais.
Na sequência, veja como a Polícia Federal realiza essa recuperação de dados e quais desafios enfrentam nessa tarefa, conforme informação divulgada pelo g1.
Recuperação de dados por meio da nuvem e celular desbloqueado
Investigadores recuperam conversas e documentos apagados analisando serviços em nuvem como o iCloud da Apple e o Google Drive. Essa análise pode acontecer no próprio celular do investigado, quando desbloqueado, ou via ordens judiciais que obrigam plataformas a compartilharem dados.
Por exemplo, na megaoperação contra esquema de lavagem de R$ 1,6 bilhão, a análise de iCloud permitiu cruzar documentos financeiros e conversas, apontou a Polícia Federal. Em outro caso, mensagens trocadas pelo dono do Banco Master foram recuperadas, conforme reportagem do blog da Andréia Sadi.
De janeiro a junho de 2025, o Google recebeu 38.290 pedidos judiciais por informações de usuários, respondendo a 77% deles. A Apple, no mesmo período, teve 7.592 pedidos para dados em aparelhos, com resposta em 79% dos casos, e mais 3.678 pedidos por dados na nuvem, respondidos em 81%.
Técnicas para desbloqueio e extração forense de dados
O primeiro passo para acessar conteúdo é desbloquear o celular, que pode ser facilitado com fornecimento da senha pelo dono ou realizado com programas forenses que exploram vulnerabilidades. Segundo o presidente da Associação Nacional dos Peritos em Computação Forense, Marcos Monteiro, esse processo equivale a hackear o aparelho.
Contudo, aparelhos recentes, como o iPhone 17, lançado em 2025, apresentam desafios maiores, pois não há ainda ferramentas capazes de quebrar automaticamente suas senhas se estiverem desligados.
Essas ferramentas são restritas a especialistas e custam licenças caras, em torno de US$ 50 mil por ano. Os programas se conectam aos celulares via USB e escolhem a melhor estratégia para extração dos dados. Eles atuam em níveis diferentes, desde dados visíveis até informações temporárias e ocultas na memória.
Níveis de extração e análise dos dados para investigação
Conforme Monteiro, a extração dos dados ocorre em quatro níveis: lógica, lógica avançada, sistema de arquivos e física, do menos ao mais profundo. Cada um deles permite acessar diferentes tipos de informações, inclusive dados apagados, desde que não sobrescritos.
É comum submeter o mesmo aparelho a múltiplos tipos de extração para ampliar a chance de encontrar os dados desejados. Especialistas recomendam realizar a extração o mais rápido possível para evitar perda de registros temporários, alertou o perito em segurança digital Wanderson Castilho.
Após obter o material bruto, programas como o IPED, criado pela Polícia Federal, ajudam a interpretar e organizar grandes volumes de dados. Eles identificam padrões como CPF e valores monetários, facilitando buscas em mensagens de WhatsApp, Telegram e outros bancos de dados.
Cuidado com a criptografia e limitações das investigações
Mensagens no WhatsApp possuem criptografia de ponta a ponta desde 2016, garantindo que só o remetente e destinatário possam lê-las. O Telegram oferece criptografia, mas por padrão armazena conversas no servidor, o que pode permitir acesso em investigações.
Apesar das proteções, as perícias não acessam os aplicativos diretamente, mas sim os bancos de dados armazenados nos aparelhos para recuperar mensagens, incluindo algumas apagadas. No entanto, se o dispositivo estiver comprometido, a segurança fica vulnerável, conforme a própria plataforma do Telegram informou ao g1.
Esses métodos mostram a complexidade e a tecnologia envolvida na recuperação de dados de investigados, ajudando autoridades a desvendar crimes mesmo diante de tentativas de apagar informações.
Com informações de G1
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