O Irã vive um apagão digital desde o início da ofensiva militar dos EUA e Israel, dificultando a comunicação e aumentando o medo dos iranianos, sobretudo os que vivem fora do país.
A internet está bloqueada no Irã desde 28 de fevereiro. O apagão ocorre após ataques contra o país por Estados Unidos e Israel e chega a mais de uma semana sem sinal estável. Essa medida limita a comunicação interna e externa, deixando famílias angustiadas pela falta de notícias.
Muitos iranianos fora do país temem pela segurança dos parentes, enquanto civis enfrentam dificuldades para receber alertas importantes. O bloqueio também impede a divulgação de informações independentes sobre o conflito e amplia a circulação de desinformação oficial.
Nas próximas seções, saiba como o apagão afeta o cotidiano dos iranianos, a reação daqueles no exterior e a estratégia do governo iraniano para controlar o acesso à internet, segundo informações divulgadas pelo G1.
Apagão digital como ferramenta do governo iraniano durante crises
O Irã já recorre a bloqueios de internet em momentos de instabilidade interna. Durante protestos antigoverno, o acesso à rede costuma ser restringido para dificultar a mobilização dos manifestantes.
Em janeiro, após uma onda de manifestações que resultou em milhares de mortos, o país registrou semanas de interrupção no acesso à internet. Durante o conflito de 12 dias com Israel em junho do ano passado, houve medida semelhante.
Desde 28 de fevereiro, quando começaram os ataques militares dos EUA e Israel, o governo iraniano voltou a cortar a conexão digital de forma quase total. Conforme a plataforma NetBlocks, o apagão chegou a mais de 168 horas consecutivas, com apenas 1% da conectividade normal disponível.
Impacto severo na vida dos iranianos e seus familiares no exterior
O bloqueio da internet restringe não só a comunicação do país com o mundo, mas também entre as próprias regiões iranianas. Tarefas básicas como usar mapas online ou acessar sites estão praticamente impossíveis. Apenas uma intranet local e limitada permanece ativa.
Famílias no exterior vivem momentos de angústia sem saber se seus entes queridos estão vivos. Hayberd Avedian, membro de uma associação na Alemanha, relata que sua maior preocupação é não conseguir contato para confirmar a segurança dos pais.
Ele afirma que todas as manhãs verifica notícias sobre os locais atingidos por bombardeios, mas o medo permanece pela falta de comunicação direta. Mitra B., também residente na Alemanha, teme por sua tia no Irã e espera que a situação melhore logo.
Estratégias para burlar o bloqueio e risco ampliado para civis
Enquanto a maioria dos iranianos enfrenta isolamento digital, aliados do regime utilizam chips pré-pagos, chamados de “chips brancos”, para manter acesso irrestrito e propagar narrativas governistas. Estima-se que existam mais de 50 mil desses dispositivos em funcionamento.
Para a população geral, telefonar para o Irã do exterior é difícil e a conexão pela internet extremamente instável. Alguns utilizam ferramentas como VPNs, plataformas como Psiphon e até serviços ilegais da Starlink, a empresa satelital de Elon Musk, para tentar se comunicar.
Além do isolamento informativo, o apagão aumenta os riscos para civis, já que alertas prévios de ataques aéreos enviados pelas Forças de Defesa de Israel nem sempre chegam a tempo. A falta de informação pode colocar vidas em perigo.
Consequências sociais e a luta pela liberdade de informação
Tahireh Panahi, pesquisadora em Direito da Tecnologia, afirma que o apagão não é apenas um problema pessoal, mas social. Ele dificulta a organização de protestos e garante que os crimes do regime permaneçam invisíveis mundialmente.
O fim do bloqueio da internet é crucial para que os iranianos exilados possam ajudar a divulgar informações e buscar auxílio para o país. Enquanto isso não ocorre, o vácuo causado pelo apagão favorece a desinformação e o fortalecimento da propaganda oficial.
Com informações de G1
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