Trend viral no TikTok reproduz agressões simuladas após recusas em pedidos amorosos, enquanto o Brasil bate recorde de feminicídios, segundo dados oficiais.
Vídeos recentes no TikTok mostram jovens encenando reações violentas diante de rejeições amorosas, como pedidos de namoro e casamento.
A repercussão gerou manifestações críticas e ações das autoridades contra a naturalização da violência nas redes sociais.
Conforme informação divulgada pelo g1, o aumento dos feminicídios no país torna o tema ainda mais alarmante.
Trend “treinando caso ela diga não” coloca em evidência simulações de violência no TikTok
Criadores brasileiros de conteúdo viralizaram vídeos com a legenda “treinando caso ela diga não”, nos quais simulam respostas agressivas a uma possível rejeição, incluindo socos em objetos e golpes com faca.
Esses vídeos, analisados pelo g1, foram publicados entre 2023 e 2025 e juntos obtiveram mais de 175 mil interações, sendo postados por perfis que vão de 883 seguidores até 177 mil.
A Polícia Federal já iniciou investigações sobre perfis envolvidos na disseminação deste tipo de conteúdo, reconhecido que contribui para a banalização da violência contra as mulheres.
A escalada da violência de gênero e casos reais como exemplo
O Brasil registrou em 2025 o maior número de feminicídios da história, com 1.470 mulheres assassinadas, ultrapassando os 1.464 casos de 2024.
A média se traduz em quatro mulheres mortas por dia, segundo informações do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Casos recentes em diferentes estados ilustram a gravidade do cenário: no Rio de Janeiro, uma jovem foi esfaqueada mais de 15 vezes após recusar um homem; em Pernambuco, uma mulher teve o corpo incendiado por um ex-colega de trabalho após negar um relacionamento.
Especialistas alertam sobre a circulação e impacto do conteúdo violento nas redes
Raquel Saraiva, presidente do Instituto de Pesquisa em Direito e Tecnologia do Recife, destaca que conteúdos violentos atraem alto engajamento nas plataformas, o que dificulta sua remoção.
Ela afirma, “As plataformas não gostam de remover conteúdo, principalmente esses que são virais… Elas lucram com esse tipo de conteúdo”.
O diretor do Instituto Mapear, Luciano Ramos, relaciona a tendência a movimentos machistas online e reforça que esses vídeos alimentam a ideia machista como norma comportamental entre jovens.
Reações da sociedade e respostas das plataformas e autoridades
Na esfera política, a deputada federal Duda Salabert acionou o Ministério Público para que investigue os perfis que compartilham esses conteúdos que incitam a violência contra mulheres.
Também há pedidos para que a Procuradoria-Geral da República apure e responsabilize criminalmente os envolvidos na apologia à violência, em meio à votação na Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados.
O TikTok informou que os vídeos violam suas Diretrizes da Comunidade e foram removidos assim que identificados, reforçando medidas para proteger os usuários da plataforma.
Nos comentários nos vídeos, a reação do público varia entre críticas contundentes contra a trivialização da violência e respostas que tentam justificar o conteúdo como humor ou memes.
O debate público e as investigações surgem diante da necessidade de enfrentar a grave escalada da violência contra as mulheres, que tem consequências reais e devastadoras.
Com informações de G1
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