Parte do agro brasileiro continua sofrendo com tarifa de 50% nos EUA, enquanto outras exportações ganharam isenção recente, gerando impactos econômicos e negociações em andamento.
Conforme informação divulgada pelo g1, o governo dos Estados Unidos surpreendeu o setor agro brasileiro ao não estender as recentes isenções de tarifas para produtos importantes como café solúvel, uva, mel e pescados.
Essas mercadorias ainda são tributadas com uma sobretaxa de 50%, diferente do café em grão e da carne bovina, que foram liberados das tarifas adicionais em decisões publicadas em novembro.
As medidas anunciadas nos dias 14 e 20 de novembro trouxeram alívio ao agro nacional, especialmente para os produtos que representam o maior volume de exportações aos EUA.
No entanto, segmentos como o do café solúvel e as frutas continuam enfrentando barreiras que limitam seu crescimento no mercado americano.
Nesta reportagem, mostramos como essas tarifas afetam cada setor e quais desafios permanecem para o agronegócio brasileiro em suas negociações com os Estados Unidos.
O impacto da tarifa de 50% no café solúvel e negociações em curso
O café solúvel brasileiro permanece tributado com a sobretaxa de 50% imposta pelos EUA, uma situação que a indústria ainda não compreende totalmente, segundo Aguinaldo Lima, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics).
Em 2024, as vendas desse produto para o mercado americano representaram 10% do total exportado por essa indústria.
Lima destaca que o café solúvel do Brasil sempre teve forte presença nas prateleiras dos supermercados nos EUA.
Dados do Departamento de Agricultura dos EUA indicam que, em 2023, 38% das importações americanas de café solúvel vieram do Brasil. Porém, após a sobretaxa de 40% anunciada em julho, o país perdeu posição para a Rússia como maior fornecedor.
Nos meses seguintes à imposição da tarifa, o volume exportado para os EUA caiu cerca de 50%, aumentando o risco de perda de mercado, além de impulsionar a busca americana por fornecedores alternativos como México, Colômbia, Vietnã e Europa.
O setor brasileiro permanece em negociações com o governo e empresas americanas em busca da eliminação da taxa, com reuniões agendadas entre o Cecafé e órgãos governamentais brasileiros para o fim de novembro.
Uva sofre retração significativa e queda no poder de negociação
Embora os EUA tenham isentado muitas frutas frescas da sobretaxa, a uva ficou de fora da lista de exceções, enfrentando 50% de tarifa adicional.
Em 2024, o país foi destino de 12% das frutas frescas brasileiras exportadas, com faturamento de US$ 41,5 milhões para os exportadores de uva, segundo a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas).
A mesma fonte indica que 23% das uvas vendidas pelo Brasil para o exterior foram destinadas aos EUA em 2024. Contudo, entre outubro e novembro, as vendas de uva para o mercado americano caíram 73% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
O diretor-executivo da Abrafrutas, Eduardo Brandão, explica que a exclusão provavelmente se deve à forte produção doméstica americana do fruto e à competida oferta dos vizinhos Chile e Peru.
Apesar da redução nas vendas para os EUA, o produtor brasileiro redirecionou a maior parte da produção para países da Europa e da América do Sul. Contudo, a diminuição da demanda americana reduziu o poder de negociação e pressionou os preços.
Mel e pescados entre os mais prejudicados pela tarifa excessiva
Além da tarifa adicional de 50%, o mel brasileiro já era tributado com uma taxa base de 8,04% nos EUA, destaca Renato Azevedo, presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel).
O setor permanece em negociação para tentar reverter esse cenário, porém enfrenta incertezas sobre o impacto futuro no preço e na renovação dos contratos previstos até dezembro de 2025.
Conforme Sitônio Dantas, diretor da Central de Cooperativas Apícolas do Semiárido Brasileiro, embora os EUA devam manter as compras, a queda nos preços é inevitável. Em 2024, os EUA responderam por quase 80% das exportações brasileiras de mel natural, conforme dados do AgroStat.
Já o setor de pescados lamenta a ausência de avanços na remoção da tarifa elevada, conforme o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), Eduardo Lobo.
O mercado dos EUA representa cerca de US$ 300 milhões anuais para o segmento e concentra quase metade das exportações brasileiras de pescados em 2024.
Segundo Lobo, a falta de prioridade do governo brasileiro para o setor nas negociações bilaterais coloca em risco empregos e a economia local, especialmente entre pequenas e médias empresas em comunidades costeiras e ribeirinhas.
Ele reforça a necessidade urgente de estratégias para recolocar o pescado brasileiro em destaque nas tratativas comerciais com os EUA, para evitar perdas de mercado e concorrência internacional crescente.
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