O presidente da Volkswagen do Brasil, Ciro Possobom, comenta o esgotamento do estoque do SUV Tera e aborda os desafios para ampliar a eletrificação da marca no país, com foco em híbridos a partir de 2026.
A Volkswagen do Brasil vive um ritmo acelerado com o SUV Tera, que esgotou três meses de produção em menos de uma hora. Mesmo assim, a eletrificação dos veículos nacionais ainda avança de forma cautelosa, com previsão para a chegada de híbridos e elétricos a partir de 2026. A marca investe cerca de R$ 20 bilhões na América Latina, com parte destinada à fábrica de Taubaté (SP) e ao desenvolvimento de modelos eletrificados.
Ciro Possobom, presidente da Volkswagen no Brasil, explica que o mercado brasileiro impõe desafios para a adoção massiva da eletrificação. A necessidade de preços acessíveis e a preferência do consumidor por carros híbridos flex fazem parte da estratégia adotada pela empresa. Além disso, o executivo destaca que juros altos e rigidez regulatória travam a expansão do setor.
Conforme informação divulgada pelo g1, a entrevista traz detalhes sobre as estratégias para recuperar o atraso na linha de produção eletrificada e a visão da Volkswagen sobre o futuro do mercado automotivo brasileiro.
Sucesso do Tera reforça aposta da Volkswagen no SUV nacional
O Tera, que seguiu desde a concepção, surpreendeu ao esgotar as 12.200 unidades produzidas em três meses em menos de uma hora no lançamento. Este resultado mostrou que a campanha, comunicação e marketing da Volkswagen foram muito eficazes. O modelo divide a linha de montagem da fábrica de Taubaté com o Polo, e representa o ponto alto dos recentes investimentos da empresa na região.
Possobom relata que o potencial de sucesso surgiu clara e timidamente entre três e seis meses antes do lançamento, período em que o modelo foi apresentado aos consumidores. Foi exatamente assim que perceberam o impacto do Tera, especialmente após o teaser no Rock in Rio e a apresentação oficial no carnaval do Rio de Janeiro em 2025.
Mesmo com a preferência crescente dos brasileiros por SUVs, que já representam 54% dos veículos emplacados, o presidente da Volkswagen ressalta que os hatches ainda têm seu espaço no mercado e são importantes para a indústria, apesar de a concorrência do SUV destinar mais opções e volume para esse segmento.
Desafio da eletrificação: preço e mercado são barreiras no Brasil
Até o momento, a Volkswagen do Brasil não oferece modelos híbridos ou elétricos fabricados localmente. Apenas disponibiliza os elétricos ID.4 e ID.Buzz via assinatura. Isso contrasta com competidores como Toyota, que lançou seu híbrido flex em 2019, e marcas chinesas que já apresentam forte oferta eletrificada.
Segundo Ciro Possobom, a principal barreira para acelerar a eletrificação no país é o custo, pois a adoção dessas tecnologias elevaria significativamente o preço dos veículos. Ele exemplifica que o Tera, com preço médio de R$ 120 mil, subiria pelo menos R$ 10 mil como híbrido leve e até R$ 40 mil em versões híbridas plenas, o que não atenderia à demanda do consumidor brasileiro.
Em resposta, a VW pretende que a partir de 2026 todos os lançamentos nacionais já tenham versões eletrificadas, priorizando híbridos flex. Possobom enfatiza que o tamanho do Brasil e o uso intenso dos veículos tornam os híbridos a tecnologia mais adequada, garantindo menor custo total e maior durabilidade para o consumidor.
Ele também comentou que, embora houvesse possibilidade de importar carros elétricos chineses, a Volkswagen prefere a produção local com tecnologias específicas para o mercado nacional, para manter o valor residual e a confiança dos clientes.
Fatores que limitam crescimento e a visão para o setor automotivo
O mercado automotivo brasileiro deve fechar 2025 com 2,55 milhões de veículos novos, uma alta modesta de 3%. A Fenabrave revisou para baixo a projeção inicial de 2,6 milhões. Para Ciro Possobom, três pontos poderiam acelerar esse crescimento: redução das taxas de juros, expansão da produção nacional e flexibilização regulatória.
Atualmente a taxa Selic está em 15%, o que encarece o crédito para compra de veículos. Além disso, a rigidez da legislação ambiental no Brasil, considerada mais dura que a européia e americana, eleva custos e exige investimentos que impactam o preço final do carro. O Programa de Controle da Poluição do Ar (PL 8) impõe limites e tecnologias que encarecem os veículos.
Possobom defende que uma maior produção nacional geraria economia de escala, reduzindo custos e tornando os automóveis mais competitivos, condição essencial para o fortalecimento da indústria.
Volkswagen decide não participar do Salão do Automóvel 2025
O retorno do Salão do Automóvel de São Paulo em 2025 foi marcado pela ausência de grandes fabricantes como Volkswagen, Chevrolet e Audi. O evento ficou dominado por marcas chinesas, em um formato considerado pouco inovador.
Possobom explicou que a Volkswagen preferiu investir em outras formas de marketing ao longo do ano e avalia um retorno para 2027, desde que o salão retorne com a presença de todas as marcas em um formato mais atraente para o público. Ele criticou o modelo tradicional de salão fechado e separado por estandes, e sugeriu novas abordagens, acima de tudo mais integradas e abertas ao público.
Essa postura reforça a estratégia atual da Volkswagen de foco em investimentos seletivos e adequação à realidade do mercado brasileiro, priorizando inovação e resultados concretos à curto e médio prazos.
Com informações de G1
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