A nova lei paulista obriga condomínios a permitir instalação de carregadores para carros elétricos, porém custos elevados e adaptações técnicas seguem sendo obstáculos para moradores.
A instalação de carregadores para veículos elétricos em condomínios de São Paulo passa a ser um direito dos moradores, segundo nova legislação estadual. O processo, entretanto, ainda demanda análise técnica rigorosa e pode apresentar um custo até 200% maior do que a instalação em residências individuais.
Apesar da obrigatoriedade, os condôminos precisam estar preparados para desembolsar valores significativos e realizar adequações estruturais, como passar cabos internos pelo prédio. Empresas especializadas já oferecem soluções para facilitar esse processo e reduzir os gastos.
Segundo informação divulgada pelo g1, a nova regra exige que os condomínios façam uma análise de carga, documento crucial para validar a instalação, e restringe o direito de veto do síndico a motivos técnicos comprovados.
Obrigação dos condomínios e custo elevado da instalação
Antes da aprovação da nova lei, o síndico ou a assembleia podiam impedir a instalação do carregador sem apresentar justificativas técnicas. Agora, eles precisam pagar uma análise de consumo de energia e potência do prédio, que pode variar entre R$ 3 mil e R$ 15 mil. Essa análise, realizada em sete dias, determina a viabilidade do sistema energético para suportar a carga dos dispositivos.
Além do custo da análise, a instalação do cabeamento até a vaga do carro elétrico pode custar de R$ 5 mil a até R$ 12 mil, dependendo da distância da vaga até o ponto de energia no prédio. Luiz Felipe Santos, gerente-geral da Revo, alerta que sem apoio financeiro do condomínio, o morador pode pagar até três vezes mais do que para uma instalação doméstica.
Quando a instalação envolve passar cabos por lajes, pode ser necessário um furo técnico com acompanhamento de engenheiro, impactando ainda mais o valor final. Até mesmo prédios antigos podem demandar reformas significativas na parte elétrica e no transformador, com custos que podem superar os R$ 500 mil, inviáveis para a maioria dos condomínios atualmente.
Soluções e adaptações para facilitar o acesso aos carregadores
Para minimizar os custos, alguns condomínios têm arcado com a instalação da infraestrutura principal que atende a todas as vagas. Assim, os moradores apenas custeiam seus carregadores individuais, reduzindo valor e padronizando as instalações, segundo Santos.
Empresas como a Power2Go criam alternativas que não cobram nada do condomínio para preparar a infraestrutura inicial e cobram do usuário apenas a parte individual. Conforme o CEO Tadeu Azevedo, soluções adaptáveis permitem que condomínios até com vagas rotativas se organizem para a instalação, que valoriza o imóvel e prepara o prédio para demandas futuras.
Normas técnicas, segurança e responsabilidade
O advogado David Monteiro destaca que as regras do condomínio devem ser claras, sem exigências desproporcionais para dificultar o acesso ao carregador. Já Patrícia de Pádua Rodrigues salienta que a lei permite exigir cumprimento das normas técnicas, como as da ABNT e orientar quanto às normas de segurança, principalmente relacionadas ao combate a incêndios.
A gerente da Lello Condomínios, Raquel Bueno, conta que síndicos costumavam vetar os dispositivos por falta de orientações técnicas. Agora, com diretrizes nacionais para instalações elétricas e diretrizes do Corpo de Bombeiros, essa resistência tende a diminuir, garantindo conformidade para a renovação do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB).
O condomínio pode estabelecer padrões técnicos e regras para ressarcimento de eventuais danos causados por pontos de recarga, mas não pode atribuir automaticamente culpa ao morador sem análise técnica específica da causa, reforça a advogada Patrícia.
Perspectivas para o futuro dos carros elétricos em condomínios
Segundo dados da Boston Consulting Group (BCG) consultados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), 65% dos veículos zero quilômetro vendidos no Brasil serão eletrificados até 2035. Esse cenário reforça a importância da adaptação dos condomínios para atender à crescente demanda por carregadores.
O CEO da Power2Go recomenda que as administrações dos prédios já preparem a estrutura para todas as vagas, não apenas para alguns moradores, antecipando o crescimento do uso do carro elétrico. A tendência, segundo especialistas, é que condomínios se organizem para viabilizar a instalação de carregadores e garantir a valorização dos imóveis.
Com informações de G1
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