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Fim da patente da semaglutida em 2026 acirra disputa global entre Brasil, EUA, China e Índia

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O término da patente da semaglutida em 2026 abre um novo capítulo no mercado global de medicamentos para obesidade, com disputas acirradas entre grandes potências e laboratórios inovadores.

Medicamentos baseados em incretinas, como a semaglutida, revolucionaram o tratamento da obesidade, criando um mercado em rápida expansão. No entanto, o vencimento das patentes entre 2025 e 2029 pressiona o setor a se reinventar.

Grandes países como China, Índia, Brasil, EUA e Canadá concentram públicos estratégicos para essa transição, ameaçando participação de laboratórios pioneiros. O cenário torna-se ainda mais competitivo com novas parcerias e tecnologias.

Nesta reportagem, exploramos os impactos econômicos e tecnológicos dessa mudança, assim como os desafios e oportunidades para o setor farmacêutico global.

Patente da semaglutida: um divisor de águas para a indústria farmacêutica

Conforme informação divulgada pelo g1, a patente da semaglutida, princípio ativo do medicamento emagrecedor Ozempic, expira em março de 2026 na China, Índia, Turquia, Canadá e Brasil. Esses países reúnem cerca de 40% da população mundial e 33% das pessoas com obesidade, tornando a data decisiva para o controle do mercado.

A Novo Nordisk, laboratória dinamarquesa detentora da patente, enfrenta o chamado Abismo das Patentes 2.0, que traz a expectativa de perdas globais de até 90 bilhões de dólares devido à entrada de genéricos e biossimilares no mercado. Esse movimento deve redefinir as cadeias produtivas e a dinâmica entre concorrentes.

Além disso, o lançamento do Zepbound pela Eli Lilly, com tirzepatida, gerou um impacto inesperado que fez com que as ações da Novo Nordisk despencassem, enquanto o valor de mercado da Eli Lilly ultrapassava 1 trilhão de dólares, sinalizando uma nova liderança para o setor.

Novas parcerias e o avanço da indústria indiana e chinesa

O final de 2025 trouxe uma importante aliança entre o laboratório indiano Lupin, sediado em Mumbai, e a chinesa Gan & Lee Pharmaceuticals. Essa parceria concedeu à Lupin direitos exclusivos para venda e distribuição da bofanglutida na Índia, um análogo de GLP-1 promissor para diabetes tipo 2, que também demonstra potencial para perda de peso.

A bofanglutida se destaca por exigir apenas uma injeção a cada 14 dias, contrastando com a frequência maior dos concorrentes. Essa vantagem tecnológica pode renovar o portfólio em um mercado tão competitivo.

A Lupin, presente em mais de 200 países, inclusive Brasil, potencializa sua presença nacional por meio da MedQuímica, laboratório brasileiro integrante do grupo desde 2015. Paralelamente, a indiana Biocon, maior farmacêutica da Índia, alia-se ao Biomm brasileiro para competir com versões genéricas da semaglutida, ampliando a disputa no mercado interno.

Medicamentos orais e a quebra da barreira do medo das agulhas

Um desafio para os medicamentos injetáveis é o medo de agulhas, presente em 63,2% dos adultos segundo a revista científica PLOS One (2022). Isso explica a corrida para desenvolver versões orais mais convenientes.

Em janeiro de 2026, a Novo Nordisk lançou o Wegovy em comprimido, mas com a limitação do uso de estômago vazio e intervalo de 30 minutos antes das refeições. A Eli Lilly trabalha para a aprovação do orforglipron, medicamento oral que poderá ser usado sem restrições de horários e alimentação, previsto para março de 2026 no FDA.

Estima-se que o mercado global de medicamentos para emagrecimento alcance 95 bilhões de dólares em 2030, sendo cerca de 24% desse valor para versões orais. O banco Goldman Sachs projeta que a Eli Lilly capture 60% das vendas desse segmento, contra 21% da Novo Nordisk.

Inovações nas estratégias de venda direta ao consumidor

Os laboratórios adotaram o modelo de venda direta ao paciente (DTP) para combinar preços transparentes, telessaúde e entrega domiciliar, evitando interferência dos sistemas públicos e privados no preço final.

Segundo o CEO da Novo Nordisk, Maziar Mike Doustdar, medicamentos para obesidade respondem melhor a esse modelo, com foco em consumidores que pagam do próprio bolso. Essa mudança traz uma nova relação entre empresas e pacientes, acelerando o impacto comercial das inovações.

Além disso, avanços como sprays nasais à base de semaglutida, em fase de testes na China, podem ampliar ainda mais o acesso e a diversidade dos produtos no mercado global.

Com as patentes da semaglutida expirando e o mercado fervilhando, a disputa entre grandes países e laboratórios redefine os rumos da indústria farmacêutica, com reflexos diretos para o tratamento da obesidade, um dos maiores desafios de saúde pública contemporâneos.

Com informações de G1


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