A Espanha enfrenta o primeiro surto de peste suína africana desde 1994, com a mobilização inédita de exército e policiais para conter a doença que atinge javalis e ameaça o tradicional presunto ibérico.
A Espanha é o terceiro maior produtor mundial de carne suína, reconhecida especialmente pela produção do presunto pata negra. Recentemente, o país registrou o retorno da peste suína africana, doença altamente contagiosa entre porcos e javalis.
O surgimento desse surto motivou uma resposta rápida do governo, incluindo a atuação das Forças Armadas. As ações buscam conter o avanço do vírus e proteger um setor vital para a economia do país.
Esta reportagem detalha a origem dos casos, as medidas aplicadas e os impactos econômicos decorrentes do surto, conforme informação divulgada pelo G1.
Como surgiram os novos casos da peste suína africana na Espanha?
Os dois primeiros javalis infectados apareceram na região próxima à rodovia AP-7, que liga a Espanha à França. Estes são os primeiros registros da doença no país desde 1994. As autoridades suspeitam que o vírus tenha sido transmitido após um javali ter ingerido alimentos contaminados, possivelmente um sanduíche trazido de fora do país descartado no lixo.
O ministro da Agricultura da Catalunha, Oscar Ordeig, afirmou em entrevista que “a opção mais provável é que frios, um sanduíche, comida contaminada, tenham ido parar no lixo e que um javali os tenha comido e se infectado”.
Além dos dois casos confirmados, outros oito permanecem em investigação, e novos registros são esperados. A doença tem avançado por diversos países europeus nos últimos anos, afetando populações de javalis e porcos em 13 nações.
Medidas contundentes para controle da doença
Para conter o surto, o governo da Espanha lançou uma operação que conta com 300 policiais e agentes rurais, reforçados por 117 soldados da unidade emergencial militar das Forças Armadas.
Esses agentes devem usar drones para localizar javalis possivelmente infectados, realizar buscas ativas, retirar carcaças de animais e impedir a caça na área afetada para evitar que a doença se espalhe para zonas livres.
O ministro da Agricultura do país, Luis Planas, ressaltou que o objetivo é limitar a zona afetada para evitar a propagação do vírus.
Impactos nas exportações e nas relações comerciais
A disseminação da peste suína africana gerou bloqueios em um terço dos certificados de exportação de carne suína da Espanha, embora nenhuma fazenda tenha sido diretamente afetada ainda.
Além das restrições aplicadas por países da União Europeia e China, o Reino Unido suspendeu temporariamente a importação de produtos suínos da Catalunha. O departamento ambiental britânico declarou que toda a carne suína fresca proveniente da Espanha ficará retida nos postos de fronteira até nova ordem.
A Espanha exporta ao Reino Unido cerca de 37,6 mil toneladas de carne suína fresca e congelada anualmente, segundo dados do Conselho de Desenvolvimento de Agricultura e Horticultura. Taiwan e México também proibiram temporariamente os produtos suínos espanhóis.
O que o futuro reserva para a produção de presunto ibérico?
A peste suína africana representa uma ameaça grave para a indústria do presunto pata negra, símbolo da gastronomia espanhola. O controle rápido da doença é fundamental para preservar a produção e os mercados.
A resposta combinada de forças policiais e militares indica o empenho das autoridades em proteger um dos produtos mais renomados do país. Ainda assim, a recuperação econômica dependerá do sucesso das medidas sanitárias adotadas.
As autoridades monitoram diariamente a evolução do surto, enquanto produtores e exportadores buscam alternativas para manter o setor robusto frente aos desafios recentes.
Com informações de G1
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